
Na família de Mariana o contato com a arte vem da parte de seu avô materno, Francisco Alberto, que foi ator, além disso a mãe de Mariana, D. Margarida costumava brincar de teatro, utilizando-se de bonecos, com os filhos. Desde pequena Mariana demonstrou interesse pela arte e já se mostrava decidida pela área plástica ao guardar seus pincéis e tintas em um tronco de oliveira, segundo nos relataram seus irmãos Maria Teresa e Antonio.
Como era costume e sendo Mariana a irmã mais velha, além de todas as brincadeiras de criança, a pequena auxiliava a mãe no serviço doméstico e cuidava dos irmãos menores. A família costumava alternar residência entre Évora e uma das quatro quintas das quais eram proprietários, principalmente a conhecida como quinta do rabecão.Em 1953 a família muda-se para Lisboa. Passados alguns anos, Mariana decide ir sozinha para Paris em busca de estudo, chegando lá, sem conhecer ninguém hospeda-se em uma pensão para moças das freiras carmelitas e só mais tarde consegue alugar um quarto para si. Inicia sua vida na capital francesa estudando cerâmica e Francês durante o segundo semestre do ano de 1957, posteriormente cursa pintura na Escola Nacional Superior de Belas Artes, no período de 1959 a 1964, onde foi aluna de Jean Souverbie (1891-1981) , André Lhote (1885-1962)., Maurice Brianchon (1899-1979) e assistente do professor Roger Chastel (1897- 1981).
Foi simultaneamente a esse estudo que a partir de 1960 cursou “gravura” na escola do Boulevard Montparnasse, dirigida então por Jean Delpech 1916 - 1988), trabalhando sobre cobre e zinco. É dessa formação com Jean Delpech que Mariana herda os “princípios” da gravura original que irá ensinar por todos os lugares onde passará. Em 1961 inicia suas atividades como artista conquistando o primeiro premio do concurso Lefranc em Paris. Ainda na capital francesa foi bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian, entre 1962 e 1963.
Retornando a Portugal em 1965, fixa residência em Lisboa e participa da Cooperativa dos Gravadores Portugueses, onde teve quatro trabalhos seus editados. Ainda nessa época faz cursos com a gravadora argentina Carmen Gracia (1935) em 1965 e com Alice Jorge (1924-) e João Hogan (1914-1988) em 1967.
Passou a lecionar Litografia de 1968 a 1969 na Escola de Artes Decorativas Antonio Arroio em Lisboa e juntamente com Artur Bual (1926-1999) e
Manuel Augusto Lucena funda um ateliê livre de gravura chamado “o Sabará”.
No ano de 1970, muda-se para a África, onde viveu 5 anos em Luanda, capital da província de Angola, local onde seu pai havia adquirido terras. Lá fez painéis para o átrio do edifício do Centro de Formação Profissional de Angola e ainda com a colaboração do arquiteto José Fava, fundou e dirigiu até 1975 a primeira escola de Artes Visuais de Angola, “o Barracão” onde Mariana lecionava gravura. O Barracão teve atividades intensas como mostras de alunos, cursos, exposições individuais de artistas variados inclusive do ex professor de Mariana, Jean Delpech.
Infelizmente, em março de 1975 inicia-se a guerra civil em Angola o que torna impossível a permanência da família de Mariana na África, que assim como outros portugueses tiveram todos os seus bens confiscados.
Mariana ainda faz diversas viagens como voluntária da cruz vermelha entre Portugal e África e somente na véspera de natal de 1975 chega a Santos, onde já a esperavam os pais e irmãos.
É nessa cidade que Mariana monta seu primeiro ateliê na Rua Conselheiro Nebias, número 331, local onde mais uma vez o sonho de divulgar a gravura e formar um centro de pesquisa e ensino dessa arte estão presentes.
No final do ano de 1977, Mariana muda-se para São Paulo, no entanto mantém-se ligada ao litoral, pois a partir de 1978, inicia seu trabalho na Galeria Cilvitec, empresa de arquitetura, simultaneamente trabalhando em São Paulo e no Guarujá, como diretora do espaço artístico. Nessa posição Mariana trabalha até 1982, sempre promovendo mostras de gravura e lutando pela divulgação da gravura original.
Em São Paulo funda em seu ateliê, na Rua Jesuíno Maciel, um clube de gravura, com reuniões para comércio e apreciação de trabalhos gráficos. Posteriormente transfere seu ateliê para a rua: Coronel João Gabi, no bairro do Jabaquara, ministrando aulas de gravura também no Sesc Pompéia e participando de muitas mostras pelo Brasil e exterior.
No ano de 2000, retorna a residir em Santos onde pretende fundar um ateliê de gravura gratuito destinado ao público em geral. É com esse intuito que Mariana ofereceu todo o material de gravura de seu ateliê, como doação, a diversas instituições, as quais, infelizmente não demonstraram interesse.
Assim sendo, Mariana efetuou a doação à Secretaria de Cultura de Santos, onde ao falecer em 2003 era a responsável pelo curso de gravura da Secult.
Hoje o ateliê da Secult chama-se “Ateliê de gravura Mariana Quito” em justa homenagem a essa grande artista gravadora.
Maria Quito faleceu em Santos, São Paulo no dia 9 de agosto de 2003 aos 75 anos de idade de problemas cardíacos.
Márcia Santtos
Referencias bibliográficas:
INTERCAMBIO DE GRAVURA. Catálogo de mostra na associação de gravura de Évora, Portugal, 2001.
MARIANA QUITO. Texto de Mayra Laudanna. Catálogo da mostra individual no IEB. USP. 1993.
OSTROWER, Fayga. A grandeza Humana: cinco séculos, cinco gênios da arte. Rio de Janeiro: Campus, 2003.
Sites pesquisados:
http://www.portugal-linha.pt/arte/mquito/index.html - Visita em: 18/10/2006
http://www.coresprimarias.com.br/ed_2/livio_itapecerica_p.php - Visita em: 18/10/07
http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo3/atelierabs/ernestina/index.html -
Visita em: 18/10/2006
http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo3/atelierabs/raimo/index.html -
Visita em: 18/10/2006
http://www.ranulfopedreiro.com.br/news.php?cod=210&PHPSESSID=3b2e9485be5192bdd4074a02151f9841 - Visita em: 18/10/2006
http://www.artafrica.gulbenkian.pt/html/artistas/artistaficha.php?ida=384 - Visita em: 21/10/2006
http://www.portugal-linha.pt/arte/mquito/index.htmlem - Visita em: 21/10/2006
Depoimentos
Maria Tereza Quito em 21/5/2007 e 18/ 7/2007
Marcelo Chagas em 04/06/2007.
Sonia Luisa Cruz.em 26/5/2007
David de Almeida em 30/10/2006 por e-mail.
Texto: professora Ms. Márcia Campos dos Santos